AMOR É COMUNHÃO
26 26UTC maio 26UTC 2008

Na porta da secretaria de um colégio, vi este recado: " É proibida a entrada de estranhos na secretaria. Use a janelinha" .
A experiência é banal, corriqueira. Vamos visitar um amigo, uma amiga ou alguma família conhecida. Lá chegando, acionamos a clássica campainha da casa ou do apartamento. Segundos depois, o postigo da porta ou o olho mágico se abre, cautelosamente. Se nos reconhecem, sorriso aflora, rosto e portas se abrem, franca e fraternalmente:
–Que ótimo você ter vindo… faz tanto tempo…como vai?
–Ao contrário, se somos estranhos, se nos desconhecem, o cerimonial é bem outro. Um rosto fechado, impassível, pergunta laconicamente:
–O que é? O que deseja?
Gratificamente e consolador: para Jesus, não existem pessoas estranhas, todas são de casa. E nem é preciso pedir " com licença" , acionar a campanhia. As portas estão sempre abertas, convidativas, escancaradas. As portas da misericórdia, do acolhimento. As portas do seu coração.
Amar de verdade é deixar outros entrarem em nossa vida numa espécie de desapropriação do nosso Eu. No amor profundo, dois territórios sagrados se fundem, se complementam, entrelaçando alegrias, esperanças e sofrimento num voto de confiança recíproco espontânea de duas cidadelas.
Significativo: entre os Sete Sacramentos da Igreja, a Eucaristia é o mais profundo. Emanuel: um Deus conosco que se faz alimento, comunhão. Eternamente.

