MONSTEIRO, UM LUGAR MARCADO PELO SILÊNCIO !
29 29UTC outubro 29UTC 2008

Voltemos para o sagrado que habita em nós
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Há pouco tempo tive a oportunidade de conhecer o Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Éramos um grupo de pesquisadores em Ciências da Religião desejosos de conhecer a literatura bíblica retratada na arte visual do local nos seus afrescos, pinturas, ícones, esculturas, vitrais, entre outros. Foi, sem dúvida, uma experiência magnífica. Mas uma coisa me chamou muita atenção, e não foram somente as várias manifestações artísticas presentes no interior do templo, mas a localização daquele mosteiro e sua igreja.
O Mosteiro de São Bento está situado na região central da cidade de São Paulo. Um lugar movimentadíssimo, extremamente confuso, com muitas ruas de comércio e trânsito intenso. Ao redor estão a Praça da Sé, o Mercado Central, a 25 de Março, o Viaduto Santa Efigênia… Enfim, uma região marcada pela agitação e pelo barulho.
E no meio disso tudo – está o Mosteiro - um lugar marcado pelo silêncio, oração, trabalho, meditação e contemplação. Ao perceber isso, me extasiei com este fato: no meio da agitação e do barulho, um lugar de silêncio e de retiro!
Observei algumas pessoas que entravam na igreja do local para rezar um pouco. Mesmo que por breves minutos, elas entravam caminhando apressadas, em geral com o rosto cansado e pesado. Sentavam-se e a impressão que se tinha era a de que, ao caírem sentadas no banco da igreja, elas despejassem não só o peso do corpo, mas também o peso da mente e do coração. Ali recuperavam o fôlego, as forças, e quando saíam, não mais caminhavam apressadas, mas tranqüilamente, com calma e aliviadas.
Vendo esses fatos, entendi que todos devemos ter esse “mosteiro” na nossa vida diária. Nosso ritmo é acelerado, nossa vida é agitada e, muitas vezes, barulhenta; não adianta fugir. Mas, em vez de fugir, podemos fazer como os monges ou como aqueles que vão a esse local no centro de São Paulo: podemos nos retirar. Isso mesmo! Algumas vezes no dia, podemos parar e buscar o “mosteiro” que existe dentro de nós. Um lugar para onde nos retiramos. Distanciarmo-nos dos problemas, da agitação e do barulho, para ali, nos voltarmos para o sagrado que habita em nós. “Sagrado” quer dizer exatamente isso: “retirado”.
E é justamente essa, creio eu, a proposta dos beneditinos: serem um sinal de contemplação, de silêncio, de meditação, de encontro com eles mesmos e com Deus, em meio a esse mundo pós-contemporâneo, marcado pela pressa, pela agitação e pelo distanciamento do sagrado. Façamos como nos ensina essa presença beneditina no mundo: quando os problemas, a agitação e o barulho tentarem nos dominar, nos retiremos, corramos ao nosso lugar sagrado. Saiamos do mundo e entremos no céu. E lá, iremos ouvir a doce voz de Jesus, que nos diz:
“Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrarei descanso para as vossas almas, pois meu jugo é suave e meu fardo é leve” (Mt 11,28-30).
E voltemos para o mundo, na certeza de que sempre que precisarmos e quisermos podemos recorrer a esse espaço interior no qual Jesus nos direciona, inspira e impulsiona.
São Bento, rogai por nós!
Denis Duarte
denisufv@yahoo.com.br
Denis Duarte Especialista em Bíblia e Cientista da Religião Autor dos livros: A Experiência de Ouvir e Transmitir a Voz de Deus e Se Creres, Verás a Glória de Deus (no nome dos livros coloque o blog.cancaonova.com/denisduarte

